As dívidas das famílias brasileiras chegaram a 50,1% da renda anual em agosto. Esse é o maior nível da série histórica iniciada em 2011 e a primeira vez que o índice supera 50% na história.
Isso significa que as dívidas ocupam mais da metade de tudo o que as famílias ganham ao longo de um ano.
Quando olhamos para os valores das parcelas das dívidas, o número também piorou. O comprometimento da renda mensal com o pagamento de dívidas passou de 28,8% para 29%. Na prática, quase R$ 30 de cada R$ 100 da renda mensal das famílias já estão comprometidos.
Por que isso importa? Além de comprometer a qualidade de vida da população, o endividamento tem sido uma das principais dificuldades do atual governo.
Ao longo do terceiro mandato, o presidente Lula anunciou três versões do Desenrola — sendo que a última ainda não aconteceu. Apesar dos dois primeiros programas terem ajudado a população, não impediram que a parcela de endividados crescesse.
Um dos principais fatores que influenciam esse endividamento é a taxa de juros — que atualmente está em 13,75%. Juros mais altos tornam empréstimos e financiamentos mais caros, o que contribui para o endividamento da população.
Mas por que não diminuem? A taxa de juros é um mecanismo que o Banco Central usa para controlar a inflação. Ela é influenciada por fatores como gastos do governo e consumo da população. Diminuir esse indicador antes da hora pode, por exemplo, fazer o real se desvalorizar.
O endividamento deve continuar sendo um ponto de atenção do governo. Com o Desenrola 3.0, a expectativa do governo é alcançar até 15 milhões de pessoas, com o início dos novos acordos previsto para fev/2027.