Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
Dia D no Supremo
Por Administrador
Publicado em 13/09/2026 14:05
Geral

(Imagem: Rosinei Coutinho | SCO | STF)

Na próxima terça-feira, os dez ministros do STF vão se reunir para discutir, abertamente, a pior crise institucional da história recente da Corte.

O momento marca uma sessão extraordinária, convocada pelo presidente Edson Fachin depois da sequência de revelações que colocou Alexandre de Moraes e André Mendonça de lados opostos de uma mesma investigação.

Nos bastidores, a Corte inteira está de olho no homem por trás do maior escândalo bancário do país em anos: Daniel Vorcaro.

O que será pautado no dia 15?

No papel, o encontro convocado por Fachin e, que acontece às 10h da próxima terça-feira, tinha como pauta inicial e objetiva, analisar a Petição 16.662.

Dênius, o que é essa 16.662? Se você bem se lembra, no início do mês de setembro, o ministro André Mendonça tornou públicas as mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. As mesmas que contamos no último domingo e que pautaram a crise inicial no Supremo.

Nelas, o ex-banqueiro e o ministro trocavam mensagens em visualização única, com print de frases escritas nas notas do celular. Uma das mensagens, enviada dois dias antes da prisão de Vorcaro, perguntando a Moraes se ele deveria deixar o país.

Na sequência das decisões, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, também citado nas mensagens, foi afastado pelo ministro André Mendonça. Pouco tempo depois, em resposta, Flávio Dino reintegrou Andrei. 

Diante da guerra de decisões individuais sobrepostas que instaurou a crise, o presidente Edson Fachin fez o que, no jargão político, chamam de "puxar a tomada". Ele suspendeu temporariamente todos os movimentos isolados dos ministros para que o plenário decida, de forma unificada e ao vivo:

  • Se o relatório trazido por Mendonça contra Moraes tem validade jurídica ou se será anulado, como pede a Procuradoria-Geral da República (PGR);

  • Se a cúpula da Polícia Federal permanece no cargo ou se valida o afastamento;

Com a quebra do sigilo na quinta-feira, o dia 15 tornou-se ainda mais decisivo

A pedido de Fachin, André Mendonça derrubou o sigilo de procedimentos do caso Banco Master. Na prática, um acervo em HD com inquéritos e relatórios da Polícia Federal foi parar na mesa de todos os ministros.

(Imagem: Antonio Augusto | STF)

O movimento foi um cálculo político estratégico: se a Corte vai votar na terça-feira, todos precisam ver as mesmas cartas.

Em tese, a divisão dentro do plenário já é possível de rascunhar — parte porque alguns ministros já se manifestaram em decisões recentes, parte porque as alianças políticas dentro do Supremo não são segredo.

(Imagem: Antonio Augusto | STF)

Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin devem ficar ao lado de Moraes. Luiz Fux e Nunes Marques, ao lado de Mendonça.

(Imagem: Victor Piemonte | STF)

Dias Toffoli é a maior incógnita: como ex-relator do caso Master, ele próprio já foi citado em apurações ligadas a Vorcaro, o que pode levá-lo a se abster de opinar publicamente sobre o mérito.

Cármen Lúcia é quem está no centro. Em alguns momentos, a ministra já demonstrou forte afinidade com Alexandre de Moraes — mas o entendimento é de que, dessa vez, ela pode buscar um equilíbrio na balança em vez de repetir o alinhamento. O mesmo se espera de Edson Fachin, presidente da Corte, a quem cabe também o voto de minerva em caso de empate.

Embora o mapa de votos já aponte essas divisões, o verdadeiro alinhamento de cada ministro só vai ficar claro quando a sessão começar. O que dá para cravar desde já é que a terça-feira promete ser longa, tensa e imprevisível.

Com o sigilo derrubado e um HD cheio de relatórios circulando pelos gabinetes, cada nova peça aberta tem o potencial de jogar mais lenha na fogueira ao vivo. Resta saber se o STF sairá do dia 15 com as feridas estancadas — ou se o julgamento vai escancarar de vez uma crise que há muito tempo deixou de ser apenas jurídica.

fonte: the news

Comentários