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Moraes, Vorcaro, Gonet e o retrato da Justiça no Brasil hoje
Por Administrador
Publicado em 02/09/2026 11:21
Geral

(Imagem: Vinícius Schmidt | Metrópoles)

Uma série de vazamentos colocou a relação de Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro de volta aos holofotes. As mensagens entre os dois, citadas no relatório da Polícia Federal, transformaram o dia de ontem em um dos mais polêmicos da história do STF. Vamos por partes.

Pedidos de conselho em meio à crise

Ao todo, foram reveladas 52 mensagens enviadas que revelam principalmente como o ex-banqueiro pedia conselhos ao ministro no auge da crise do Master.

“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso” Em uma delas, Vorcaro pede ajuda a Moraes para conseguir "proteção” de Paulo Gonet (Procurador-Geral da República) e Andrei Rodrigues (Diretor-Geral da PF).

Na sequência, ambos discutem a estratégia que o ex-banqueiro deveria adotar para frustrar o cumprimento da prisão preventiva contra ele — indicando que Moraes repassava detalhes sobre a Operação Compliance Zero.

48h antes de ser preso pela primeira vez, Vorcaro pergunta ao ministro do STF se seria possível “reverter” o avanço das investigações contra o Banco Master, detalhando qual era a situação financeira da empresa.

(Imagem: Estadão | Reprodução)

Vorcaro também teria demonstrado confiança nas ações de Moraes: “Acha que vale a pena? Não vou fazer nenhum movimento que você não achar produtivo. Estamos no escuro, o Paulo só disse que tava olhando pessoalmente e que não teria sacanagem.”

  • Em 15/nov/25, Vorcaro responde Moraes: “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. (…) E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?

  • Em 16/nov/25, o ex-banqueiro perguntou ao ministro: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.

  • Em 17/nov/25, Vorcaro pergunta: “alguma novidade”. “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. No mesmo dia, ele é preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular para o exterior — em uma suposta tentativa de fugir.

Digamos que os "conselhos" não eram exatamente de graça…

As investigações apontaram que um usuário com o nome “Ministro Alexandre de Moraes” atuou na edição do contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane de Moraes, e o ex-banqueiro.

Em resposta, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que pediu ao ministro informações sobre possíveis impedimentos legais para a contratação, o que não teria sido verificado e, por isso, o contrato foi assinado.

Em paralelo, um relatório da PF apontou que o escritório de Viviane de Moraes também firmou um segundo contrato de R$ 50 milhões com outra empresa de Daniel Vorcaro, a Viking Participações. Inclusive, ele pagou parte desse contrato com cotas de um jato particular.

O que vem na sequência

O ministro do STF André Mendonça já retirou o sigilo sobre a ação que apura mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Em manifestação no fim do dia, o PGR — citado no caso e nas mensagens — exigiu a nulidade da investigação. Paulo Gonet argumenta que cabe ao André Mendonça apenas decidir, e não investigar outro ministro do Supremo.

Mendonça já retrucou afirmando que vai seguir e que quer realizar uma sessão “pública e transparente” no plenário da Corte, incluindo todos os ministros — o que deve acontecer na semana que vem.

O atual presidente do Supremo, Edson Fachin, é o responsável para pautar as discussões no plenário. Até agora, ele não se manifestou publicamente sobre o caso.

 

fonte: the news

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