Um grupo de cientistas britânicos e espanhóis chegou a uma conclusão contraintuitiva sobre as altas temperaturas da Europa. Segundo eles, parte do calor extremo que vem castigando a região nos últimos verões está ligada à redução da poluição atmosférica.
Desde os anos 1980, a Europa esquentou no dobro do ritmo do resto do planeta. Para se ter uma ideia, só nos últimos dois meses, o Velho Continente registrou +10 mil mortes por conta das temperaturas extremas.
Como isso acontece? Pense que as partículas de poluição, como sulfatos, funcionam como um “guarda-sol” natural, refletindo parte da radiação solar de volta ao espaço. Com as novas políticas ambientais, essas partículas praticamente desapareceram do ar — e com elas, o efeito de resfriamento.
O mais curioso é que, segundo os pesquisadores, os atuais modelos climáticos previam que, se a poluição diminuísse, isso reduziria o calor na Europa em 4%. Acontece que o que aconteceu foi o oposto e o efeito aumentou em 29% o calor.
O fenômeno também é apontado como fator por trás de pelo menos outros 5 verões escaldantes no continente, que somaram dezenas de milhares de mortes e perdas agrícolas na Europa.
O que vem a seguir: Com os níveis de sulfato já estabilizados, o aquecimento “extra” da Europa tende a desacelerar, já que o efeito passa a depender apenas de outros gases. Mas o mesmo padrão está se repetindo em outras regiões, como a Ásia, que também reduziu sua poluição atmosférica.