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Se você pudesse entrar em uma máquina do tempo e viajar para os anos 80, há uma grande chance de você achar o passado incrivelmente lento — exceto nos céus.
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Há 40 anos, um grupo seleto de pessoas cruzava o Atlântico na metade do tempo atual, jantando caviar a duas vezes a velocidade do som.
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(Imagem: John Tye | Arquivo Pessoal)
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Hoje, em pleno 2026, nós temos inteligência artificial na palma da mão e carros que dirigem sozinhos, mas levamos praticamente o dobro do tempo para fazer a mesma viagem de avião.
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Mas a tecnologia de antigamente pode estar se adaptando aos dias de hoje… Recentemente, Sean Duffy, o Secretário de Transportes dos EUA, acendeu o estopim de uma nova corrida aérea.
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Essa era, no entanto, tinha outro nome no passado…
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A Era Concorde. O nome vem justamente do Concorde, o avião nascido de uma parceria ultra-ambiciosa entre os governos da França e Reino unido na década de 1960.
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(Imagem: British Airways)
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Ele entrou em serviço em 1976 e operava em uma física completamente diferente dos jatos normais.
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Se um avião de linha hoje voa a cerca de 900 km/h, o Concorde cruzava os céus a mais de 2.100 km/h. Voava tão rápido, que o atrito com o ar fazia a fuselagem de alumínio esquentar a quase 100°C, expandindo o comprimento do avião em até 30 centímetros durante o voo.
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Enquanto isso, a cabine era um charme. O espaço era apertado, com apenas 100 assentos em fileiras de dois, mas o bilhete, que custava o equivalente a US$ 12.000 em valores atualizados, dava acesso a uma verdadeira área VIP — o clube mais exclusivo do mundo.
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O trecho Londres-NYC levava menos de 3 horas e meia. Devido ao fuso horário, os passageiros pousavam nos EUA em um horário local anterior ao que haviam decolado na Europa — o que origem ao slogan da British Airways "Chegue antes de sair".
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Se era tão incrível, por que fomos obrigados a voltar ao ritmo lento?
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(Imagem: Britannica)
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A resposta curta é: o Concorde era um milagre científico, mas um desastre comercial. O avião foi sufocado por três grandes problemas:
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1) Toda vez que o Concorde quebrava a barreira do som, ele gerava uma onda de choque que soava na Terra como uma explosão. O barulho quebrava janelas, assustava animais e gerou uma onda de protestos. Por causa disso, os EUA proibiram o jato de voar em velocidade supersônica sobre o continente. Ele só podia acelerar sobre o mar, o que destruiu o plano de criar rotas que ligassem o próprio continente.
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2) O Concorde bebia querosene de aviação como se não houvesse amanhã. Ele consumia cerca de 25.600 litros de combustível por hora. Para se ter uma ideia, ele gastava quase o mesmo que um Boeing 747, mas carregando apenas um quarto dos passageiros. Ficou caro demais mantê-lo no ar.
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3) Em julho de 2000, o trágico acidente do voo 4590 da Air France em Paris matou 113 pessoas, enterrando a reputação de segurança do jato. Combinado com a crise no turismo global após o 11 de setembro de 2001, a British Airways e a Air France decidiram aposentar o modelo definitivamente em 2003.
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Agora, estamos assistindo a uma virada
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O movimento que o Secretário Sean Duffy anunciou agora só é possível porque a tecnologia de 2026 resolveu os fantasmas que assombravam o Concorde.
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(Imagem: Boom Supersonic)
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Projetos modernos como o jato Overture, da Boom Supersonic, e o protótipo X-59, da NASA, usam designs computacionais que fazem o teto do avião "refletir" a onda de choque de volta para a atmosfera.
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Com isso, o barulho que antes assustava as cidades agora chega ao solo como um “baque” mais suave, sendo mais silencioso.
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Além disso, os novos jatos nasceram sob a exigência de queimar 100% de combustível sustentável, limpando a barra ambiental que o Concorde sujou no passado.
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Será que agora poderemos entrar na fila para garantir um bilhete de supersônico? Veremos nas cenas dos próximos capítulos…
fonte: the news
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