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A comida perde o papel de ritual
Por Administrador
Publicado em 11/01/2026 09:05
Geral

Um dos primeiros impactos aparece à mesa.

  • Estudos clínicos mostram que até 44% dos pacientes relatam náusea, além de uma queda significativa no apetite.

  • Pesquisas analisadas pela Harvard Medical School indicam que muitos usuários não sentem apenas menos fome, mas menos prazer ao comer.

  • Dados da National Restaurant Association mostram que, nos EUA, o crescimento do ticket médio desacelerou justamente nas regiões onde o uso de GLP-1 se popularizou, enquanto cresceu a procura por pratos leves e consumo individual.

(Imagem: Reprodução)

Na prática, a comida perde o papel de recompensa, afeto ou ritual social. Vira algo funcional, quase burocrático. Assim, jantares longos passam a parecer cansativos, pedidos em restaurantes ficam menores e eventos sociais que giram em torno da comida vão perdendo graça.

Menos pausas, mais entrega

No trabalho, o Ozempic encaixa direitinho na lógica da produtividade. Menos pausas para comer, menos distrações, mais foco. Em uma cultura que já romantiza performance, o corpo “sob controle” vira quase um diferencial competitivo.

Uma pesquisa do McKinsey Health Institute mostrou que empresas têm investido cada vez mais em soluções de wellness voltadas à performance, não necessariamente ao cuidado integral.

Em paralelo, ganha força a ideia de que autocontrole corporal é sinônimo de disciplina, comprometimento e sucesso.

Para alguns usuários, isso se traduz em menos almoços coletivos, menos conversas informais e uma rotina mais solitária — ainda que vendida (ou percebida) como otimizada.

Na vida amorosa, os efeitos são ambíguos. De um lado, a perda de peso pode aumentar a autoestima e a confiança inicial. Do outro, surgem novas camadas de vigilância.

Uma pesquisa publicada no Journal of Eating Disorders (2024) mostrou que usuários de GLP-1 sem acompanhamento psicológico relataram medo intenso de interromper o medicamento, ansiedade com qualquer variação de peso e rigidez alimentar em encontros e situações íntimas.

Jantares românticos, pedir delivery, dividir sobremesa… Tudo passa pelo filtro do cálculo.

Os estudos apontam perdas médias de 14% a 17% do peso corporal em pouco mais de um ano, mas o efeito do Ozempic vai além da balança.

Os impactos sociais são ambíguos e pergunta que fica não é se o Ozempic é bom ou ruim, é até onde ele vai redesenhar a vida cotidiana?

fonte: the news

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